Como seremos em um futuro proximo

O apetite de viver para sempre mostra como estamos distantes da visão
que Parte tinha de um mundo de identidades desapegadas e em
desagregação. Especialmente no Vale do Silício, os muito ricos não veem
nenhum motivo para deixar de ser quem são. Tendo acumulado fortunas
imensas, muitas vezes ainda ridiculamente jovens, encaram o futuro como o
seu playground. E estão determinados a ser as pessoas que vão frequentá-lo.

Como sempre, isso nos é apresentado como uma visão universal: a morte
deveria ser opcional para todos. Mas o que significa, na verdade, é que as
pessoas mais poderosas do mundo querem que a morte seja opcional para
elas. De outro modo, como poderão gozar os benefícios de tudo que estão
construindo?
Se um futuro acelerado pode ser qualquer coisa, precisamos contar com a
possibilidade de que venha a ser uma paródia do passado em que achavamos a igualdade natural entre nós, a era moderna se converte num interlúdio entre
eras de excessos faraônicos. Uns poucos seres humanos flertam com a
imortalidade. Todos os demais vivem à sua sombra. No capítulo anterior,
declarei que os faraós não se comparavam ao poder do Estado moderno.

Sem o Estado moderno, porém, não somos páreo para os faraós. Se demolirmos a
nossa política, ela não poderá nos resgatar quando nós também nos
fragmentarmos.
Examinei três alternativas à democracia moderna: o autoritarismo
pragmático, procurando o calendário do pis e a tecnologia liberada. As duas primeiras têm
aspectos que as recomendam, mas no fim das contas não se comparam à
democracia que temos, mesmo em sua precária condição atual. São antes tentações do que alternativas.

A terceira é outra coisa. Inclui todos os tipos de
futuros alternativos: alguns magníficos, outros terríveis, e em sua maioria
totalmente impenetráveis. É um espectro de possibilidades, tão amplo quanto
qualquer experiência humana jamais conheceu.
Então, não há dúvida de que existem opções melhores que a democracia
contemporânea. Os futuros mais atraentes que conseguimos imaginar incluem
maneiras de fazer política que representam um evidente aperfeiçoamento do que temos agora.

O melhor dos cenários possíveis sob a pax technica de que
fala Howard, por exemplo, harmonizaria a paz mundial com a liberação
pessoal e uma prosperidade cada vez maior. Seria tão bom quanto qualquer
coisa que já conhecemos. Mason acha que podemos chegar mais além, a um
mundo em que tudo de bom na vida será gratuito. E não estamos falando de
visões simplesmente utópicas. Elas se originam em fatos que já vêm
acontecendo de acordo com auxilio doença inss.

Howard, dando mostras da impaciência genuína de alguém que
enxerga uma possibilidade de transformação política, imagina que a política
do futuro irá chegar em torno de 2020, quando a internet das coisas começar a funcionar. O que é praticamente agora.

Como a internet das coisas
pode nos tornar mais livres ou nos aprisionar”. A tecnologia que tem o poder
de nos libertar contém, também, os piores cenários possíveis, envolvendo
abusos imensos de poder, crescimento da desigualdade e paralisia política.

Investir nossa confiança no potencial emancipatório das máquinas nos exige
um verdadeiro salto no escuro.
Para chegarmos ao melhor futuro possível, precisamos nos dispor a
enfrentar o pior. Além disso, precisamos partir do ponto onde nos
encontramos hoje.

O presente contém indicações dos tempos que virão, mas é
dominado pelos ecos do passado. A democracia que a tantos inspira antipatia
e desconfiança continua a ser um lugar familiar e confortável, se comparada à
perspectiva do desconhecido. Esta é a nossa crise da meia-idade. Pode ser que prefiramos chafurdar nela.

Estilos de pessoas comuns do nosso dia a dia

Madeline. Adormecida no banco do carona ao lado, os olhos de Eugene se
desviaram para as longas pernas desnudas dela. O bronzeado era acentuado
pelas listras de sujeira surpreendentemente excitantes, tornando a aparência
dela realmente imunda, sugerindo uma vadia que houvesse lutado na lama e
depois secado. Eugene podia ver aquelas pernas até o short de brim cortado…
correndo para ele num campo arado a cabeleira alourada cascateando sobre
os ombros, cheia de poeira do deserto.. suja… imunda… correndo para ele Estava quente.

Eugene deu uma olhadela para a virilha e viu que o inchaço já estava
visível demais dentro do short de camuflagem. A tempestade reduzira a
visibilidade e era melhor evitar qualquer distração. Entretanto, a metade
racional do seu cérebro estava se fechando, enquanto os olhos continuavam
buscando o movimento tranquilo dos seios de Madeline sob o top de algodão marrom.

Essa gatinha charmosa vem há dias me dando mole, e talvez pro Scott
também. Aqueles olhares para modelos de vestidos e sedutores. Então, quando a gente se
aproxima demais, ela simplesmente congela.
Depois do festival eles haviam decidido cruzar o deserto de carro para ter
uma experiência yagé, procurando testar o contrabando que um xamã
peruano lhes vendera. Fora Madeline que descobrira a tenda do Templo da
Luz Mística e insistira para que eles assistissem à cerimônia de cura
xamanística realizada por um tal de Luis Caesar Dominquez, que se dizia um
místico peruano. Madeline e Scott ficaram mais impressionados com os
slides e a palestra do que Eugene, que tinha boas doses de X fazendo buracos
no seu bolso. Ele detestara perder o número de techno alemã que queria assistir.

Quando a coisa terminou, Madeline meteu um folheto na mão dele.
– Aí diz que o seu Dominquez passou anos aprendendo com os xamãs
Kallahuayas do nordeste do lago Titicaca, com os Amautas das ilhas dos
Andes e com os Anciãos Q’erro da região de Cusco, que são considerados os
últimos descendentes dos incas!
Enquanto eles esperavam diante da tenda, observando as pessoas saírem,
Eugene balançou a cabeça.

– Não entendo nada dessas merdas. Kallahuayas? Anciãos Q’erro? Caguei
– ele disse, dando de ombros.
Madeline não se abalou. Uma vez Eugene sentira que ela achava até um
pouco cativante aquela imbecilidade orgulhosa, franca e direta por parte dele.

E resolvera que no futuro seria mais circunspecto com sua ignorância.
Lembrou de um antigo provérbio: é melhor ficar em silêncio e deixar as
pessoas pensarem que você é um idiota do que abrir a boca e confirmar essa impressão.

Tudo se baseia numa antiga profecia andina que faz parte da lenda inca
de Pachacuti… uma época em que o mundo é virado de cabeça para baixo e
surge uma nova consciência.
– Aposto que o cara consegue arrumar alguma coisa da boa – admitiu
Eugene.
E foi aí que eles procuraram Luis Caesar Dominquez. O xamã voltara para
a tenda com eles e discretamente lhes vendera o yagé. Madeline e Scott
ficaram imediatamente enfeitiçados com Vestido Longo Nude Para Eugene, debaixo dos trajes étnicos
Dominquez parecia tão místico quanto um político caçando votos, ou um corretor de imóveis.

Mas eles tinham o yagé.
O cenário era perfeito, com uma noite clara e fria. Eles acenderam uma
fogueira no solo vermelho e ergueram a barraca facilmente armável,
tamanho-família, que haviam compartilhado durante o festival. Scott e
Madeline ficaram muito excitados e enquanto olhavam ansiosamente para as
xícaras já pareciam chapados. Mesmo a contragosto, Eugene não pôde deixar de jogar água na fervura.

acesso a essa merda. Ele sabe colher o troço e fazer o elixir. Então sai por aí
com a porcaria daqueles slides, falando que se trata de revelação. Porra, cara!
Eu devia ter feito isso quando fui pego vendendo pó naquela espelunca em
Haight. Bastava fazer para o juiz uma apresentação em powerpoint, falando
sobre energia e empreendedorismo – disse ele, rindo e expondo os grandes
dentes, cobertos por jaquetas caras depois de um acidente sofrido num treino de futebol alguns anos antes.