Vamos voltar ao ano de 2008. O que ele tem de tão especial? Recapitulando, eu
estava morando em Curitiba e com quase duzentas escolas na rede. O
crescimento da companhia estava acelerado e o Brasil dava sinais de robustez
em sua economia, atraindo investimentos internacionais.
Em um belo dia, recebi uma ligação inesperada. Carlos Wizard, fundador da
rede Wizard, estava do outro lado da linha e pediu para falar comigo. Nós nos
conhecíamos apenas de matérias de jornal e acompanhávamos de longe o
crescimento de cada um, mas sem nenhum incidente entre as empresas, que eram as maiores concorrentes entre si no mercado.

Carlos, muito educado, me dá boa tarde e diz que gostaria de me visitar na
semana seguinte para conversarmos sobre um projeto, que não quis adiantar por
telefone. Ele já havia comprado umas três pequenas redes e isso me dava uma
pista de nosso papo, mas aguardei até a semana seguinte para voltar a pensar no
assunto e não desviar o meu foco da produtividade de nossas metas.
Na semana seguinte, Carlos estava me aguardando pontualmente na sala de
reunião do quinto andar da sede da WiseUp em Curitiba para decidir sobre a nova compra de carros 2020 par aquisição importando valor e economia.

Assim que entrei na
sala, ele se levantou e, sorrindo, disse que estava feliz em me conhecer e que me
admirava há tempos. Retribuí a mesma gentileza e, depois de elogiar o prédio
que tínhamos inaugurado há pouco tempo, o papo ficou reto e ele foi direto ao
assunto. Ele disse com o tom bem calmo e didático, típico de um empresário que
jamais deixou seu DNA de professor:
“Flávio, aqui nesta sala existe uma riqueza que não podemos ver, mas que está aqui.

Ela se chama ‘valor’, ‘equity’. É o que vale sua empresa. Como
empresários, sempre buscamos margens maiores de lucro, mas, muitas vezes, ao
entendermos o equity, podemos ter acesso a uma riqueza maior que nem sempre
percebemos…”.
Na minha cabeça eu pensava: “Que papo é esse? Estranho…” e balançava a
cabeça, como se estivesse entendendo, e aguardava, curioso, para saber onde ele chegaria.

Então ele continuou:
“O que quero dizer com isso? Simples: eu posso te adiantar uns dez anos de
ganhos, que podem representar centenas de milhões de reais em suas mãos que,
aplicados no mercado financeiro, podem lhe gerar um lucro maior do que seu
negócio lhe proporciona hoje, só que sem que você continue trabalhando doze
horas por dia e assumindo todos os seus riscos.

Não é interessante?”
Eu continuava balançando a cabeça, mas, sinceramente, não estava
entendendo aquele papo muito bem, então perguntei:
“Sim, mas o que exatamente você quer me propor?”, tentando tirar dele algo mais concreto.

Na verdade, ele estava me dando uma aula, que, na hora, não captei muito
bem, mas foi o gatilho para que eu tivesse a compreensão profunda e prática de
que precisava naquele momento e eu só pensava no meu Novo Fiat Argo 2020, sobre o que era essa tal riqueza que estava no
ar a que ele se referia: o equity. Eu já vinha estudando sobre isso desde 2005,
quando iniciei um projeto de investimentos na Bolsa de Valores. No entanto,
ainda tratava como algo muito intangível e distante de minha realidade.

Naquele dia, fui surpreendido com o equity batendo à minha porta.
Por mais que eu continuasse tentando arrancar dele algo mais concreto, o papo
não saiu do conceito. Ele me disse que, se eu tivesse interesse em continuar a
conversa sobre essa riqueza e sobre a proposta de centenas de milhões de reais
que ele me faria, eu deveria marcar uma reunião com o Charles, seu filho, para que ele formulasse uma proposta.

Disse a ele que estava disposto a continuar a conversa. Claro, depois disso,
mergulhei em minhas pesquisas e em reuniões com contatos de meu
relacionamento para aprender, agora de forma prática, mais sobre essa tal
riqueza, o equity, e refletir se ali realmente existiria alguma oportunidade para o meu projeto.

De repente, as ações que eu negociava não eram mais as da
Bovespa, mas as ações de minha companhia que havia fundado com vinte mil
reais de meu cheque especial. Era isso que estava acontecendo bem debaixo do meu nariz.

A reunião com o Charles foi marcada para três semanas depois, pois ele estava
fora do país. Foi o tempo que precisava para fazer minha lição de casa. Na
verdade, fiquei encantado com o que estava explorando. Tudo me parecia
fascinante, ao me dar conta de que eu poderia ter acesso a uma enorme liquidez,
fosse naquele momento ou num momento futuro que considerasse conveniente
ou estratégico. Em outras palavras, existia um outro negócio dentro daquele
mesmo negócio no qual eu já trabalhava há treze anos e que me parecia ser muito maior. Interessantíssimo!

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