Meios de divulgação para grandes marcar alcançarem seu publico alvo

O nome do projeto escolhido foi Geração de Valor. Uma expressão de duplo
sentido. Um dos sentidos está relacionado às novas gerações que tinham valores
raros e nobres. O segundo sentido, referindo-me à expressão técnica do mercado
financeiro, Geração de Valor, ou seja, criação de riquezas.
A página no Facebook explodiu e logo se tornou o meu principal canal de
comunicação, especialmente por meio da produção de artigos, que eram postados quase que diariamente.

O Twitter serviu como um espaço de replicação
automática de conteúdos, enquanto o YouTube, o primeiro de todos os canais
utilizados, ficou de lado, por exigir mais trabalho na produção. Ainda assim, os
poucos vídeos atingiram mais de 15 milhões de visualizações.

Rapidamente, mais de 5,5 milhões de pessoas passaram a seguir os perfis do Geração de Valor,
que mantêm uma média de mais de 20 milhões de impactos por semana para conhecerem as novas motos 2020.
Sem qualquer pretensão de alcançar números tão expressivos para conteúdos
que não estavam relacionados a piadas ou a mulheres seminuas, no ano de 2014
eu já era frequentemente abordado por pessoas nos aeroportos, shoppings e até
na rua, porque diziam me conhecer da internet e logo sacavam seus celulares prontos para tirar uma foto.

Esse reconhecimento do público explicava a pesquisa da Cia de Talentos, que
me colocou mais “pop” que um dos papas mais “pops” de todos os tempos, o
Francisco. Essa pesquisa coincidiu com o primeiro livro que escrevi e que se
tornou, naquele ano, o livro de negócios mais vendido do Brasil. O mesmo
fenômeno em vendas ocorreu com os dois livros que lancei nos anos seguintes.

Aliás, com o resultado de mais de 700 mil livros vendidos, meus direitos
autorais renderam uma boa grana, que foi doada para projetos sociais,
reformando escolas do sertão do Sergipe.
A venda da WiseUp, a compra do Orlando City, a construção de nosso estádio
e a recompra da WiseUp foran acompanhadas por milhões de pessoas, como que
num reality show, potencializando os resultados de minha gestão e de minha iniciativa como empreendedor.

Como analistas de Bolsa de Valores que cobrem
empresas listadas, o público acompanhou cada investimento torcendo por mim –
outros nem tanto –, e comemorou cada sucesso alcançado. De 2011 a 2018, perdi
a liberdade do anonimato, mas ganhei uma legião de amigos virtuais, com quem
me relaciono diariamente, dando conteúdos e recebendo o carinho. São
desconhecidos, mas que me veem como um íntimo participante de sua jornada
de vida, através de livros, podcasts, artigos no jornal, charges no Instagram,
artigos no Facebook e provocações no Twitter, que hoje tem seu conteúdo próprio.

Também há muitos casos de empresas que foram criadas e ideias que saíram
do papel e um sucesso em vendas alcançadas pela Honda CG 160 2020 foi um exemplo de superação que todos tem a chance de sucesso profissional, Não é com pouca frequência que recebo mensagens de agradecimento
de quem já colhe frutos de seus projetos. Não consigo imaginar e quantificar o
números de empregos e riqueza gerados. Isso seguramente é parte de uma remuneração indireta que recebo todos os dias.

A propósito, eu costumo dizer que eu sou profundamente recompensado, não
apenas financeiramente, pela divulgação de meus projetos, ainda que de forma
orgânica e despretensiosa. A percepção de importância do trabalho que faço me
dá um grande sentimento de que minha contribuição está muito além do que esteja relacionado aos meus interesses pessoais.

Já é parte do meu propósito de
vida e significado, o que me traz uma alegria que não se pode comprar em uma
farmácia ou mesmo ser prescrita por um médico. Laboratório algum seria capaz
de produzir uma droga capaz de me proporcionar o prazer de saber que o meu
trabalho impacta milhões de pessoas, homens, mulheres e crianças que terão ao menos uma chance de viver melhor.

Palestrando sobre meios econômicos de transportes

A sala de conferências era muito imponente, ainda mais com aquela plateia de
mega executivos e investidores, todos cheios de protocolos, com hora para
começar e hora para terminar. A duração prevista era de quarenta e cinco
minutos e quanto a isso as recomendações eram bem claras. O idioma em
comum de todos os presentes pessoalmente e em videoconferência era o inglês, e
logo que entrei um executivo me apresentou a todos, contando em pouco mais de
um minuto a minha trajetória, buscando valorizar o fato de que eles
consideravam que a nossa empresa seria uma ótima opção de investimento
depois de todo o estudo feito por eles sobre meios de transportes econômicos e rápidos como motos 2020, Fui chamado para a apresentação.

O meu coração acelerou, a boca secou, o silêncio ensurdecedor tomou conta da sala,
aguardando o ponto alto do dia que seria o meu discurso padronizado numa
apresentação desenhada pelos executivos do fundo no Brasil e repleta de recomendações.

Antes de começar a falar, olhei para aquela plateia e para as
telas com os executivos da Índia e do Brasil em videoconferência e me lembrei
de novo: não preciso deles, eles é que têm que me convencer de que serão bons sócios para mim.

Então fiz tudo diferente do recomendado, ignorando a
apresentação ensaiada, até porque, naqueles segundos, eu tinha concluído que o
que estava previsto para a apresentação eles estavam carecas de saber, pois
estudavam a empresa há mais de seis meses. Olhei para o executivo brasileiro,
que me assessorou na apresentação e me deu todas as recomendações, e lhe
disse: “Fernando, desculpe-me, mas resolvi mudar a minha apresentação”.

Eu pude ver em seus olhos uma profunda preocupação, talvez misturada com
alguma frustração e, quem sabe, esperando o pior. Resolvi compartilhar com os
banqueiros o insight que eu tinha tido na sala de espera, olhando pela janela,
enquanto esperava pelo início da conferência. Comecei falando de minhas
origens, do ônibus lotado, aliás, perguntei a eles se já haviam pegado um ônibus
com mais de cem pessoas dentro. Viajamos na realidade de milhões de
brasileiros que acordam todos os dias com o grande desafio de se locomover.

Isso para eles é no mínimo incompreensível, pois como um governo poderia
permitir que isso acontecesse? Como um governo poderia agir com tanto
descaso e falta de planejamento? Quando contei sobre a transposição das
imagens refletidas no vidro (Nova Iorque e ônibus cheio), percebi alguns olhos
brilhando e outros emocionados.

Àquela altura, eu queria começar a falar mais
de nosso modelo de negócios, mas eles insistiam em me fazer mais perguntas
sobre motos como a Honda Falcon 2020, sobre minhas origens e modelos que eu ja tinha experiencia, sobre a taxa
de juros de doze por cento ao mês do cheque especial que eu paguei quando
peguei vinte mil reais do banco em 1995 (nos Estados Unidos, a taxa de juros de
um empréstimo é de três por cento ao ano), dentre muitos outros aspectos.

Mais de quarenta e cinco minutos se passaram e a conferência já se transformava
numa viagem ao mundo da periferia do Rio de Janeiro, realidade de muitos
jovens que desperdiçam seus talentos por acreditarem ser impossível mudar essa
realidade e transpor as enormes muralhas sociais que estão à sua frente.

Dos quarenta e cinco minutos inicialmente previstos, ficamos na sala por quase duas
horas e, no final, fui cumprimentado por eles que, não apenas pelo negócio,
agradeciam por terem conhecido um pouco mais da trajetória de quem começou
do zero, ou melhor, começou abaixo de zero, do negativo, e chegava ali com
tanta segurança e desenvoltura na apresentação.
O executivo brasileiro, agora mais tranquilo, foi o último a me parabenizar.

De lá, voltei para o hotel e, ainda com a roupa no corpo, deitei na cama e fiquei
olhando para o teto, relaxando um pouco, mas ainda sem ter conseguido parar de
me lembrar daquele tempo, das dificuldades vencidas e do motor que me movia em direção a uma mudança de vida.

Pelo que tudo indicava, os investidores
estavam “babando” para comprar trinta por cento da companhia, mas algo dentro
de mim não me deixava sentir a segurança ou o entusiasmo para avançar, apesar
de potencialmente embolsar 210 milhões de reais naquela operação.

Ponto de decisão para seguir a diante profissionalmente

Vamos voltar ao ano de 2008. O que ele tem de tão especial? Recapitulando, eu
estava morando em Curitiba e com quase duzentas escolas na rede. O
crescimento da companhia estava acelerado e o Brasil dava sinais de robustez
em sua economia, atraindo investimentos internacionais.
Em um belo dia, recebi uma ligação inesperada. Carlos Wizard, fundador da
rede Wizard, estava do outro lado da linha e pediu para falar comigo. Nós nos
conhecíamos apenas de matérias de jornal e acompanhávamos de longe o
crescimento de cada um, mas sem nenhum incidente entre as empresas, que eram as maiores concorrentes entre si no mercado.

Carlos, muito educado, me dá boa tarde e diz que gostaria de me visitar na
semana seguinte para conversarmos sobre um projeto, que não quis adiantar por
telefone. Ele já havia comprado umas três pequenas redes e isso me dava uma
pista de nosso papo, mas aguardei até a semana seguinte para voltar a pensar no
assunto e não desviar o meu foco da produtividade de nossas metas.
Na semana seguinte, Carlos estava me aguardando pontualmente na sala de
reunião do quinto andar da sede da WiseUp em Curitiba para decidir sobre a nova compra de carros 2020 par aquisição importando valor e economia.

Assim que entrei na
sala, ele se levantou e, sorrindo, disse que estava feliz em me conhecer e que me
admirava há tempos. Retribuí a mesma gentileza e, depois de elogiar o prédio
que tínhamos inaugurado há pouco tempo, o papo ficou reto e ele foi direto ao
assunto. Ele disse com o tom bem calmo e didático, típico de um empresário que
jamais deixou seu DNA de professor:
“Flávio, aqui nesta sala existe uma riqueza que não podemos ver, mas que está aqui.

Ela se chama ‘valor’, ‘equity’. É o que vale sua empresa. Como
empresários, sempre buscamos margens maiores de lucro, mas, muitas vezes, ao
entendermos o equity, podemos ter acesso a uma riqueza maior que nem sempre
percebemos…”.
Na minha cabeça eu pensava: “Que papo é esse? Estranho…” e balançava a
cabeça, como se estivesse entendendo, e aguardava, curioso, para saber onde ele chegaria.

Então ele continuou:
“O que quero dizer com isso? Simples: eu posso te adiantar uns dez anos de
ganhos, que podem representar centenas de milhões de reais em suas mãos que,
aplicados no mercado financeiro, podem lhe gerar um lucro maior do que seu
negócio lhe proporciona hoje, só que sem que você continue trabalhando doze
horas por dia e assumindo todos os seus riscos.

Não é interessante?”
Eu continuava balançando a cabeça, mas, sinceramente, não estava
entendendo aquele papo muito bem, então perguntei:
“Sim, mas o que exatamente você quer me propor?”, tentando tirar dele algo mais concreto.

Na verdade, ele estava me dando uma aula, que, na hora, não captei muito
bem, mas foi o gatilho para que eu tivesse a compreensão profunda e prática de
que precisava naquele momento e eu só pensava no meu Novo Fiat Argo 2020, sobre o que era essa tal riqueza que estava no
ar a que ele se referia: o equity. Eu já vinha estudando sobre isso desde 2005,
quando iniciei um projeto de investimentos na Bolsa de Valores. No entanto,
ainda tratava como algo muito intangível e distante de minha realidade.

Naquele dia, fui surpreendido com o equity batendo à minha porta.
Por mais que eu continuasse tentando arrancar dele algo mais concreto, o papo
não saiu do conceito. Ele me disse que, se eu tivesse interesse em continuar a
conversa sobre essa riqueza e sobre a proposta de centenas de milhões de reais
que ele me faria, eu deveria marcar uma reunião com o Charles, seu filho, para que ele formulasse uma proposta.

Disse a ele que estava disposto a continuar a conversa. Claro, depois disso,
mergulhei em minhas pesquisas e em reuniões com contatos de meu
relacionamento para aprender, agora de forma prática, mais sobre essa tal
riqueza, o equity, e refletir se ali realmente existiria alguma oportunidade para o meu projeto.

De repente, as ações que eu negociava não eram mais as da
Bovespa, mas as ações de minha companhia que havia fundado com vinte mil
reais de meu cheque especial. Era isso que estava acontecendo bem debaixo do meu nariz.

A reunião com o Charles foi marcada para três semanas depois, pois ele estava
fora do país. Foi o tempo que precisava para fazer minha lição de casa. Na
verdade, fiquei encantado com o que estava explorando. Tudo me parecia
fascinante, ao me dar conta de que eu poderia ter acesso a uma enorme liquidez,
fosse naquele momento ou num momento futuro que considerasse conveniente
ou estratégico. Em outras palavras, existia um outro negócio dentro daquele
mesmo negócio no qual eu já trabalhava há treze anos e que me parecia ser muito maior. Interessantíssimo!

Gastos aumentaram e precisei de veículos mais baratos

Para resolver o pagamento de funcionários no dia seguinte, abrimos uma
concorrência com três bancos para abrirmos as contas de nossas vinte e quatro
escolas. Cada escola operava com três contas diferentes, ou seja, um total de
setenta e duas contas diferentes com o banco que vencesse a concorrência.

Fecharíamos o contrato com quem oferecesse as melhores taxas e crédito.
Luciana organizou esse processo logo pela manhã e, depois do almoço, já
tínhamos fechado com um dos bancos. O limite de cheque especial de cada conta
aberta foi usado para pagar os funcionários.

Com relação à redução de despesas, o pacote incluía desmontar todo o plano
da consultoria de processos que envolvia a contratação de alguns profissionais
de áreas como RH, operações, TI, além da devolução do prédio do quartelgeneral, que eu havia comprado e anunciado para toda a empresa.
A primeira atitude era a demissão de quatro pessoas, logo depois do almoço
do dia seguinte à nossa madrugada de planejamento. Confesso que foi muito difícil quando precisei de trocar meus carros de luxo por carros 2020 mais econômicos.

Eu não tenho dificuldades de demitir alguém, mesmo não sendo
agradável, mas aquelas pessoas eram especiais, estavam cem por cento
motivadas com o trabalho que estávamos começando a realizar e, para piorar, eu
gostava muito e acreditava no potencial delas.
Lembro-me bem de meu sentimento antes de entrar na reunião que já estava
marcada desde a primeira hora da manhã. Ao longo do dia, já sabendo o que
faria depois do almoço, passei várias vezes, no escritório, pelas pessoas que
seriam mandadas embora. Elas tinham um olhar desarmado, sem imaginar o que
estava prestes a acontecer. Meia hora antes, eu pensei:
“Eu faço cagada na empresa e eles têm que ser demitidos? Que culpa eles têm?”.

Meu instinto era de recuar e, de repente, me dei conta de que o que estava
sentindo era exatamente o que senti quando estava prestes a matar o gafanhoto.
Eu me lembrei do olhar da Luciana segurando no meu braço e dizendo:
“Faça o que tem que fazer.”.

Então, eu executei as quatro demissões com uma enorme dor no coração, mas
aliviado, porque não recuei e fiz o que deveria ser feito. O mesmo foi replicado
nas várias ações que planejamos, inclusive na devolução do prédio que
compramos de uma construtora com a qual já havíamos feito outros negócios.

Nesse caso, era uma questão de orgulho mesmo. Eu tinha pessoalmente
esbravejado para todos os funcionários sobre nossa compra. Agora, eu tinha que
dizer para todo mundo que estava devolvendo porque precisávamos equacionar o
nosso fluxo de caixa. Tive que pisar nesse gafanhoto também. O gafanhoto do
orgulho. Deu tão certo que a construtora nos isentou da multa contratual.

O custo total que essas quatro demissões representavam, em valores da época,
era de 60 mil reais em salários, que, somados com encargos, significava cerca de
120 mil reais por mês, além do valor da prestação do prédio, que seria de cerca
de 100 mil reais por mês. Só neste movimento, mais de 210 mil reais seriam
economizados a cada mês, sem que alterássemos a performance da empresa, já
que esses movimentos eram resultado da consultoria que estávamos realizando para implantar novos processos.

No embalo das reformulações que combinamos em nossa madrugada de
reuniões pós-gafanhoto, no total, foram cerca de trinta demissões, um prédio
devolvido, vários contratos renegociados e redução de custos de viagens,foi ai que pensei numa solução viável os carros elétricos como Chevrolet Bolt 2020 já que
começamos a partir daquele momento a franquear as escolas próprias localizadas
fora do eixo Rio-São Paulo. Além disso, é claro, foi feita a rescisão do contrato com a consultoria.

O somatório das reduções de custos ultrapassava os 450 mil reais mensais em
valores de 1999. Essa era a primeira parte do plano, que foi executada já no
primeiro mês.
A segunda parte consistia em aumentar os resultados de vendas. Para isso, eu
teria que reassumir a área comercial, da qual tinha me afastado naquele ano. Sem
perceber, eu estava me transformando num burocrata e me afastado de minha
essência, a mesma que tinha feito com que eu crescesse até aquele momento.

Numa reunião, meses antes, eu tinha dito para a equipe comercial que eu estava
cansado daquele trabalho, que eu mudaria os “processos” e que produziríamos
mais com gente mais qualificada. Um tiro no pé. Um devaneio praticado por
muitos empresários que, depois de alcançarem um mísero sucesso, permitem que
isso suba à cabeça e se dão ao luxo de ficarem “de saco cheio” de fazer a sua
obrigação. Infelizmente, foi o que aconteceu comigo.

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É incrível constatar que, aos dezoito anos, eu nunca tinha pensado que precisava
ganhar dinheiro. Em meu juízo de valor, eu só precisava estudar. Como minha
autoconfiança pedagógica era altíssima, devido às minhas experiências
anteriores, passei em todos os vestibulares que prestei, bem como acreditava que
passaria em qualquer concurso público no qual me inscrevesse. Logo, trabalhar
para ganhar algum dinheiro, até aquele momento, não estava nos meus planos.
Mas algo avassalador mudou essa lógica em mim. Esse algo tem nome: Luciana.

Uma linda menina sorridente de quinze anos, com brilho no olhar e uma extrema
capacidade de me encorajar em minhas maluquices como se estivesse participando do BBB 2020 Uma delas: poucos meses
depois de que nos conhecermos, tivemos um desejo muito forte de nos casarmos.

Não queria mais me despedir. Estava apaixonado e queria construir minha vida
ao seu lado. Sobre o prazo? O mais rápido possível. Foi então que me dei conta
de que faltava um pequeno detalhe: ganhar dinheiro.
Sempre gostei de relógios. O primeiro que ganhei foi um Casio digital.

Ficava olhando para ele, segundo após segundo, e ficava impressionado com o seu
funcionamento, além de aproveitar sua função de calculadora. Tinha dez anos e
cursava a quinta série. Pegando um ônibus em Bangu, fui assaltado. Tomei um
pescotapa e levaram o meu querido relógio. Aos dezoito, com a necessidade de
ter dinheiro para pagar o sorvete e o cinema, vendi o relógio que usava para um
amigo de minha sala de aulas. Com o dinheiro, comprei outro que também vendi.

Ganhei a confiança do fornecedor e, além de ter comprado mais um para
mim, peguei outro relógio em consignação. Vendi os dois. Quando me dei conta,
tinha um caderninho de clientes e encomendas que atendia, aumentando minhas
vendas. Muitos cinemas e sorvetes foram pagos com o que ganhava com essa
minha nova atividade. Foi quando iniciei minha carreira internacional.

Foram duas viagens ao Paraguai, nas quais tinha acesso a mercadorias com preços mais
atrativos e que me proporcionaram melhores margens. Mas eu nunca considerei
que vender relógios fosse o que eu planejava fazer em meu futuro.
Era uma tarde de domingo e, como de costume, eu estava na casa da Luciana.

Depois do almoço, vi um jornal de domingo em cima da mesa, em frente ao sofá.
Naquela época, um de meus canais de vendas era o caderno de classificados do
jornal. Não existia internet e o caderno dos classificados era uma versão
impressa do Mercado Livre, que tínhamos disponível na década de 90. Para
minha surpresa, ao folhear o jornal, percebi a existência de uma área de empregos.

Fiquei curioso e comecei a ler os diversos anúncios, que ofereciam
vagas nas mais diversas áreas de atuação. Um deles me chamou atenção. Não
exigia experiência anterior e tampouco exigia curso superior. O design do
anúncio era atrativo e me transmitia a ideia de ser algo importante, mesmo sem
dar detalhes sobre a vaga oferecida. Então, pensei: “minha faculdade vai começar em agosto.

Ao chegar em casa, pedi uma gravata emprestada ao meu pai – o anúncio
exigia gravata para participar da entrevista. Por isso, resolvi sair bem cedo, para
não correr o risco de meus amigos me verem de gravata. Afinal, era a primeira
vez que vestia esse acessório estranho. Para chegar às oito da manhã, saí de casa às quinze para as seis.

Antes de sair de casa ainda pesquisei sobre o paredão 2020 sabendo a curiosidade dos participantes emparedados nessa semana.

Na fila, conheci algumas pessoas. Todas elas tinham muita experiência profissional
e já tinham participado de muitas entrevistas, diferentemente de mim. O papo era
estranho, desconfiado e bem ressentido. Não entendia muito bem o contexto
daquela falta de esperança, mas segui com minha inocência, em busca de minha
primeira experiência. Essa era minha única expectativa.

Nova edição BBB promete ser muito divertida e empolgante

Naquele momento, eu vi o meu amigo colocando as duas mãos no rosto. Ele
ficou desesperado. Eu me lembro de ter ficado aliviado. Estava acontecendo o
que não fui capaz de fazer com minha própria iniciativa: chegar à conclusão de
que eu deveria sair. A primeira coisa que me veio à mente quando saí da sala foi
uma grande preocupação com os meus pais. A primeira coisa que fiz foi ligar para minha casa e falar com minha mãe para ver como ela estava.

Foi mais ou
menos assim:
“Alô. Oi, mãe.”
“Oi, filho. Você tá bem?”
“Eu estou ótimo. E vocês?”
“Nós ficamos muito surpresos e preocupados.”
“Mãe, não fique preocupada. Isso é o melhor. Não estou feliz aqui há bastante
tempo.”
“Fala isso para seu pai. Ele ficou muito triste.”
“Deixa comigo. Beijos.”

O meu pai foi à sala do Comandante para tentar convencê-lo a mudar de ideia.
Quando me encontrou, não disse nada. Foram mais de duas horas de viagem até
para escolha de novos participantes para entrar na casa do Gshow bbb 2020, sem falar uma única palavra. Ele estava devastado.
Os dias que seguiram foram bem complicados. Quando finalmente
conseguimos conversar, ele não aceitava o fato. Mesmo eu dizendo que não
queria mais a Marinha, porque não tinha perfil e não me enquadrava naquele
modelo, ele dizia: “Quem não quer sai. Você foi expulso.”
É claro que ele tinha razão, mas também era fato que eu não tive maturidade para chegar a essa conclusão estando no meio do processo.

A comunicação era
escassa, não havia internet e nem celular. Eu passava a semana toda distante e,
como eu já mencionei, muitas vezes, por várias punições, passava mais de um mês sem voltar para casa.

Por isso, a surpresa foi grande.
O ano seguinte, 1990, chegou, quando eu faria o terceiro ano do ensino médio.
Ano de vestibular (na época, não existia ENEM). Eu estava absolutamente
seguro e, por isso, passei em todos os vestibulares que prestei, para as melhores universidades do Brasil.

Fazer prova não era mais um desafio para mim. No
entanto, havia uma outra prova que decidi fazer sem que ninguém soubesse. A
prova para a Escola Naval. Quando os alunos do Colégio Naval terminavam o
ensino médio, eles ingressavam automaticamente na Escola Naval, que fica no
Rio de Janeiro. No entanto, também havia um concurso para a Escola Naval, com poucas vagas.

Eu resolvi fazer esta prova. Era um concurso feito em duas
fases. Ao passar na primeira fase, peguei o jornal com o resultado e marquei o
meu nome, exatamente igual como fiz quando passei no Colégio Naval, três anos antes.

Chamei meu pai para bater um papo. Logo no início, entreguei a ele o
jornal e não disse nada. Ele perguntou:
“O que é isso?”
“Leia.”
“Aqui está escrito ‘Resultado da Escola Naval’.”
“Isso mesmo.”
“O que isso significa?”
“Significa que o meu nome está aí.”
“E você pode ir?”
“Claro que sim. É um concurso público.”
“E aí?”
“E aí que eu não vou. Estou te entregando este jornal apenas para que você
tenha a certeza de que eu não vou para a Marinha porque eu não quero, e não
porque fui expulso.”

A conversa terminou com um abraço e, de minha parte, penso que estava
recuperando uma parte importante votando na enquete UOL bbb 2020
com o incidente no Colégio Naval. Mas um outro fato interessante viria a acontecer quase três décadas mais tarde.

Em fevereiro de 2018, completaram-se trinta anos desde que eu e minha turma
entramos pela primeira vez pelos portões do Colégio Naval. Foi a primeira vez
que eu retornei àquele cenário tão marcante de minha história. Se parasse por aí
já seria uma experiência muito emocionante. No entanto, o comandante do
Colégio Naval, o Capitão de Mar e Guerra Serafin me convidou para dar uma palestra para os quase 600 alunos da instituição.

Foi um dos dias mais
emocionantes do ano, quando entrei novamente pelo mesmo auditório em que
vivi tantos conflitos e, trinta anos depois, sem qualquer mágoa, ao contrário,
muito carinho, retornei pela porta da frente para compartilhar minhas
experiências como o empresário que me tornei em três décadas. Interagir com os
alunos e fechar esse ciclo foi muito importante para mim.

Auto confiança na carreira profissional inicio de tudo

A adaptação acabou e logo tudo ficou melhor, mais próximo da normalidade,
ainda que dentro do sistema militar, repleto de rotinas repetitivas e ainda com o
típico adestramento de respostas automáticas. Vi que muitos colegas estavam
mais à vontade e adaptados e outros até gostando do processo, mas eu carregava
uma ferida muito difícil de ser cicatrizada. A adaptação definitivamente não me
caiu bem. Sempre gostei muito de ter controle sobre a minha consciência,
provavelmente a razão pela qual eu nunca tenha ficado bêbado ou usado drogas.

Gosto de mim com plena consciência e sensação de controle daquilo que me
cerca. Acho que essa foi a razão de ter rejeitado profundamente a tentativa de
invasão de minha identidade, de sequestro do meu eu e do achatamento de minha
criatividade, imaginação e iniciativa própria, que eu usava para criar as minhas
rotinas mais precisava saber qual é o salario minimo 2020 para poder pagar as minhas despesas em vez de ser padronizado por uma instituição.

Apesar de minhas palavras duras na descrição de minha experiência nos primeiros dias no Colégio
Naval, a memória que tenho da Marinha é de muito carinho. Estranho, não é?
Não sei explicar a razão para isso, mas creio que, em meio a todos esses apuros,
o vínculo com os amigos me deu uma certa compensação emocional diante de tudo isso.

Sinto também que a experiência como um todo me ensinou bastante e
me fez amadurecer de forma precoce.
A verdade é que não tinha perfil para ser militar. É claro que na época eu não
tinha a menor noção disso, mas algo me incomodava e eu não me encaixei.

Minha natureza sempre foi indomável e minha mente, mais criativa. Não
consegui me sentir um a mais na multidão e reagi com rebeldia. O resultado não
poderia ter sido positivo. Fiquei incontáveis fins de semana impedido de voltar
para casa como punição. Esse ciclo vicioso cresceu como uma bola de neve.

Sem maturidade, não conseguia tomar a iniciativa de sair, ao mesmo tempo que
a pressão aumentava ao chegar ao final do segundo ano com mais punições e
absoluta desmotivação. No final daquele ano, a Marinha me convidou a me
retirar do Colégio Naval, por inaptidão para o oficialato. Uma espécie de certificado de incapacidade para liderar.

Eu me lembro bem o momento, ao final
de 1989, quando o oficial daquele dia, no último dia de aula, na última formatura
do ano antes de sairmos de férias, chamou o meu nome. Fui lá para o meio do
pátio, na frente de todos os meus colegas, e fiquei imóvel, esperando que todos
saíssem. Fiquei lá no meio até os meus duzentos colegas irem para casa.

Eu tinha que conferir o resultado de pericia INSS mais tinha que consultar pela internet, pois estava saindo de ferias naquele momento com meus amigos e fomos para a sala de outro oficial mais
graduado. A dúvida e a expectativa nos contagiavam. Aguardamos até que o oficial chegasse na sala.

Na cabeça, passavam-se muitas coisas, mas, de novo, eu
não tinha a menor ideia do que me esperava nas horas seguintes. O oficial
chegou e disse para nós dois, de forma bem direta:
“Augusto e Marcelo, o Colégio Naval não vai renovar a matrícula de vocês
para o ano que vem. Isso é uma decisão definitiva e irreversível. Seus pais foram
avisados e já estão a caminho de Angra dos Reis para conversarem pessoalmente
com o comandante.”

Exame Encceja 2020 com esforço é possível ser aprovado

Aqueles três anos foram resultado de algumas escolhas que eu fiz e de
decisões que me conduziram ao meu primeiro Ponto de Inflexão. Naquele
período, vi alguns amigos que foram reprovados no primeiro ano que desistiram
e seguiram adiante no ensino médio. Vi outros que perseveraram no primeiro
ano, mas ao serem reprovados na segunda tentativa, resolveram não assumir um
risco maior se preparando para o concurso pela terceira vez.

Sobre esses meus
amigos que desistiram, pude ver que, em suas vidas, desistiram outras vezes de
seus projetos quando esbarraram em dificuldades. No meu caso, ao ser aprovado
em minha terceira tentativa, vi que valeu a pena a perseverança para fazer as inscrições Encceja 2020, ao mesmo
tempo que percebia o arrependimento de todos os que desistiram. Eu não tenho
dúvida alguma de que este meu primeiro Ponto de Inflexão foi marcante na formação de minha mentalidade.

Chegava o dia de parar de caminhar pelas nuvens, de cair na realidade, de
arrumar as malas e de finalmente viajar para Angra dos Reis, que seria minha casa pelos três anos seguintes.

Todos estavam muito orgulhosos: meu pai, minha mãe, minha vó e minhas
duas irmãs. Por outro lado, eu estava indo embora de casa aos quinze anos de
idade. Uma mistura de choro de orgulho com choro de despedida. O dia 3 de
fevereiro de 1988, dia tão esperado, foi o dia em que entrei pelos portões do Colégio Naval ao som do Hino Nacional.

Tudo muito lindo!
No entanto, eu estava começando um dos períodos mais difíceis e
contraditórios que já havia vivido. Não precisei de mais de 24 horas para duvidar
de tudo o que para mim era uma enorme convicção, que me havia feito abdicar
de dias e mais dias de lazer em favor de uma certeza: minha carreira na Marinha.

Essa certeza desapareceu já nas primeiras horas da realidade vivida dentro do
Colégio Naval.
O mundo militar é baseado em hierarquia, disciplina e rotina. Tudo é muito
padronizado: você passa a fazer parte de um corpo e sua individualidade é
desconstruída para nascer uma nova pessoa. Trocam o seu nome e agora você recebe um número.

Todas as reações são provocadas através do que eles
chamam de adestramento militar, que é baseado em estímulo-resposta provocado
por líderes que davam as ordens. Nesse momento, o indivíduo perde qualquer
autonomia e passa a ser um a mais na tropa.
Foram momentos de grandes conflitos no campo de batalha de minha mente.

Se, por um lado, eu ainda estava anestesiado de felicidade, por outro, tudo o que
estava vivendo era diametralmente oposto à minha expectativa.
No meio do período de adaptação, para tempo de estudo para conseguir ser aprovado no Encceja 2020 Depois de
algumas semanas dentro do sistema militar, a forma como recebi meus pais já
dava algum indício para eles de que a coisa não andava nada bem.

Apesar de ser
meu aniversário, a maior parte do tempo eu fiquei calado, sem dar detalhes do
que estava acontecendo dentro do Colégio, apesar de eles perguntarem bastante.

Eu estava frio, distante, sem brilho nos olhos e bastante robotizado. Foi bom vêlos, sentir o abraço de quem te ama, ver de novo o sorriso de minhas irmãs
menores, que sentiam saudades, mas, por outro lado, não creio que eles me
sentiram da mesma forma. Estava distante, num lugar que nem eu sabia, dentro de enormes contradições, crises e dúvidas.