Para resolver o pagamento de funcionários no dia seguinte, abrimos uma
concorrência com três bancos para abrirmos as contas de nossas vinte e quatro
escolas. Cada escola operava com três contas diferentes, ou seja, um total de
setenta e duas contas diferentes com o banco que vencesse a concorrência.

Fecharíamos o contrato com quem oferecesse as melhores taxas e crédito.
Luciana organizou esse processo logo pela manhã e, depois do almoço, já
tínhamos fechado com um dos bancos. O limite de cheque especial de cada conta
aberta foi usado para pagar os funcionários.

Com relação à redução de despesas, o pacote incluía desmontar todo o plano
da consultoria de processos que envolvia a contratação de alguns profissionais
de áreas como RH, operações, TI, além da devolução do prédio do quartelgeneral, que eu havia comprado e anunciado para toda a empresa.
A primeira atitude era a demissão de quatro pessoas, logo depois do almoço
do dia seguinte à nossa madrugada de planejamento. Confesso que foi muito difícil quando precisei de trocar meus carros de luxo por carros 2020 mais econômicos.

Eu não tenho dificuldades de demitir alguém, mesmo não sendo
agradável, mas aquelas pessoas eram especiais, estavam cem por cento
motivadas com o trabalho que estávamos começando a realizar e, para piorar, eu
gostava muito e acreditava no potencial delas.
Lembro-me bem de meu sentimento antes de entrar na reunião que já estava
marcada desde a primeira hora da manhã. Ao longo do dia, já sabendo o que
faria depois do almoço, passei várias vezes, no escritório, pelas pessoas que
seriam mandadas embora. Elas tinham um olhar desarmado, sem imaginar o que
estava prestes a acontecer. Meia hora antes, eu pensei:
“Eu faço cagada na empresa e eles têm que ser demitidos? Que culpa eles têm?”.

Meu instinto era de recuar e, de repente, me dei conta de que o que estava
sentindo era exatamente o que senti quando estava prestes a matar o gafanhoto.
Eu me lembrei do olhar da Luciana segurando no meu braço e dizendo:
“Faça o que tem que fazer.”.

Então, eu executei as quatro demissões com uma enorme dor no coração, mas
aliviado, porque não recuei e fiz o que deveria ser feito. O mesmo foi replicado
nas várias ações que planejamos, inclusive na devolução do prédio que
compramos de uma construtora com a qual já havíamos feito outros negócios.

Nesse caso, era uma questão de orgulho mesmo. Eu tinha pessoalmente
esbravejado para todos os funcionários sobre nossa compra. Agora, eu tinha que
dizer para todo mundo que estava devolvendo porque precisávamos equacionar o
nosso fluxo de caixa. Tive que pisar nesse gafanhoto também. O gafanhoto do
orgulho. Deu tão certo que a construtora nos isentou da multa contratual.

O custo total que essas quatro demissões representavam, em valores da época,
era de 60 mil reais em salários, que, somados com encargos, significava cerca de
120 mil reais por mês, além do valor da prestação do prédio, que seria de cerca
de 100 mil reais por mês. Só neste movimento, mais de 210 mil reais seriam
economizados a cada mês, sem que alterássemos a performance da empresa, já
que esses movimentos eram resultado da consultoria que estávamos realizando para implantar novos processos.

No embalo das reformulações que combinamos em nossa madrugada de
reuniões pós-gafanhoto, no total, foram cerca de trinta demissões, um prédio
devolvido, vários contratos renegociados e redução de custos de viagens,foi ai que pensei numa solução viável os carros elétricos como Chevrolet Bolt 2020 já que
começamos a partir daquele momento a franquear as escolas próprias localizadas
fora do eixo Rio-São Paulo. Além disso, é claro, foi feita a rescisão do contrato com a consultoria.

O somatório das reduções de custos ultrapassava os 450 mil reais mensais em
valores de 1999. Essa era a primeira parte do plano, que foi executada já no
primeiro mês.
A segunda parte consistia em aumentar os resultados de vendas. Para isso, eu
teria que reassumir a área comercial, da qual tinha me afastado naquele ano. Sem
perceber, eu estava me transformando num burocrata e me afastado de minha
essência, a mesma que tinha feito com que eu crescesse até aquele momento.

Numa reunião, meses antes, eu tinha dito para a equipe comercial que eu estava
cansado daquele trabalho, que eu mudaria os “processos” e que produziríamos
mais com gente mais qualificada. Um tiro no pé. Um devaneio praticado por
muitos empresários que, depois de alcançarem um mísero sucesso, permitem que
isso suba à cabeça e se dão ao luxo de ficarem “de saco cheio” de fazer a sua
obrigação. Infelizmente, foi o que aconteceu comigo.

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